23 de agosto de 2009

Os corrimãos, as costas doridas, as caixas de correio cheias de publicidade e o cheiro a cabelos, lembro-me bem. Éramos novos, não tínhamos nada ou então tínhamos tudo porque nada nos faltava. Não tínhamos casa para onde ir, nem cama onde dormir, nem mesa onde comer. Pouco importava. O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois.

Dormíamos muito agarrados em bancos de jardins, enroscados em vãos de escadas que tremiam e se arrepiavam com os nossos corpos. Poucas vezes nos estendemos em camas de reles quartos de pensões que nos faziam rir antes do nosso sangue, tão espesso e tão quente, nos sufocar. Não tínhamos dinheiro ou muito pouco. Pedíamos uma cerveja para os dois e ficávamos até baixarem as luzes e o empregado vir dizer que tínhamos de sair.

Se um de nós adormecia de cansaço, a cabeça em cima dos braços cruzados sobre o tampo da mesa, o outro ficava de guarda, como um anjo. Éramos novos e não havia outra maneira. De três em três dias íamos a casa dos nossos pais, apontando para as horas em que eles não estavam, tomar banho, mudar de roupa e roubar chocolates e bolachas e depois voltávamos para as ruas, para as escadas, para o calor.

Quem chegava atrasado era punido com beijos. Os nossos pais não percebiam, destruíam-nos a cabeça cada vez que nos apanhavam. Discutíamos alto e depois fugíamos batendo a porta atrás de nós, um livro no bolso para ler um ao outro debaixo de uma lâmpada qualquer.
O tempo foi clemente, as escadas sossegadas, nos jardins os passadores de drogas ignoravam-nos. Ninguém nos surpreendeu no escuro de um vão de escadas, embora houvesse momentos de perigo, que faziam bater tão alto o coração que parecia inevitável trair-nos e, por milagre, só nós ouvíamos.

Não fomos atacados, roubados, violados. Nada de mal nos aconteceu, nem medo tínhamos. O mundo inteiro era feito de nós dois e era o bastante. O amor era a única coisa urgente, tudo o resto era adiado, não importava, ficava para depois. As aulas, os testes, tudo o que antes fazia uma vida, e não era. Se quiseres não acredites. Por vezes também não acredito. Mas foi mesmo verdade. Foram meses de uma primavera que passou. E se ainda acontece falarmos ao telefone, nenhum de nós fala sobre isso, como se tivéssemos vergonha de ter sido assim. Se quiseres saber mais pergunta-lhe a ela, a mim não. Chama-se Raquel e não mora longe daqui.



Pedro Paixão, in "Nos teus braços morreríamos"

14 de agosto de 2009

I thought I'd come here to sweep you off your feet or something. ...

13 de agosto de 2009

Canso-me, canso-me, canso-me, canso-me super, de tudo e de todos.

8 de agosto de 2009

Portugal em Agosto é um oceano de romarias, bailaricos saloios, meninas faceiras, merendas serranas, folia colectiva e um enxame de matrículas amarelas. O calor aperta e sobe também a portugalidade com o regresso dos emigrantes.
opa, és tão perfeita que nem dá para acreditar. mesmo a sério.

31 de julho de 2009

Chegou a derradeira hora da palmadinha das costas, do beijinho pendurado, do abraço sentido, do lencinho molhado.
Sim, vamos de férias, veranear, apanhar fotões da moleirinha, levitar entre a euforia e o sono, andar descalços até às orelhas, fazer tudo sem horas e sorrir, rir, gargalhar.

30 de julho de 2009

in La movida madrilena.

28 de julho de 2009

27 de julho de 2009

Saldo final:

Cadeiras em atraso? not a single one
Cadeiras para setembro? zero
Cadeiras para 2ª fase? zero


Life goes on smoothly.

26 de julho de 2009



praia do castelo, Costa
"Quando eu era mais novo havia uma coisa muito bonita que era a sedução"
Beats. Vol 1

Sangue - Sam The Kid
Eu faço o que gosto, porque dá-me emoções.
São duas como os teus pais
São duas como a estrada que escolhe para onde vais!
Tudo é em demasia quando tudo é demais
E ninguém dá a demasia quando acham que é mais!
Mais Mais Mais!
MAIS de ti p'ra ver

O que vou fazer?
E para compreender
Tudo o que tens pra mim!

NBC, Voz
Copenhaga ou Estocolmo?

25 de julho de 2009

Movie/TV Quote of the Day

RACHEL

It's a hard world for little things.

The Night of the Hunter (1955)

Fat Joe ft Ashanti, em português, na música what's love: "Liga a puta do microfone"
(put the fucking mic'on)
i'm the kind of bitch that you wanna get with


i'm on this carousel,
You got me dizzy all in my head
Even though I know I can't take this
I keep on coming back for more
and more more more (...)

24 de julho de 2009

Life's difficult out there for a Pimp.