25 de agosto de 2008

Não vem de hoje, que eu já há muito tempo tinha reparado naquela afronta à saúde pública, mas também não vai ficar para amanhã porque não dá mais. Enchi o saco.

Andava eu rejubilar pela minha ligação com a sociedade e civilização, que isto em tempo de guerra todo o buraco é trincheira, e eis senão quando me surge um pop-up com um emaranhado de pêlos púbicos amarelos fluorescentes.
Primeiro impacto: algo entre um novo scotch-brit amarelo, ou uma revolução da vileda com "cerdas com torção maximizada para uma limpeza a fundo".

Segundos após o escândalo deparo-me não com "Gorgeous Ladies near by in Lisbon" mas com uma merda muito pior:
Ícones, esse grande reality show do hi5, capaz de fazer frente ao mítico site das concorrentes a Miss FHM do qual falarei oportunamente.
O que eu presumi ser pilosidade pélvica de um albino é, afinal,
o fucking midget mais conhecido por "mushroomed haired hobbit" dos morangos com açúcar. Diz o blondie frodo que agora é "um ícone", o que me faz pensar concretamente que o acefalozinho pobre coitado não sabe o que é um dicionário, nem o que diz.
Eu também já fui assim, mas depois fiz 3 anos.

Não tenho palavras. Muito útil em caso de prisão de ventre ou alternativamente, crise vesícular em que se constatte impossibilidade de provocar o vómito com os dedos.

Um micro-ícon que o David nos saíu, que os homens não se medem aos palmos mas também não vamos abusar da sorte. É unfkin'believable o enorme quanta de shit que ele consegue meter num hi5 só.
Próximos passos do dito cujo? Eunucos Gone Wild special contest.
Sem mais de momento.




24 de agosto de 2008


The end of the tunel, 12th. 'til then, shush
.
in the waiting line

23 de agosto de 2008

'I've got the spirit, but lose the feeling'

nenhum de nós sabe o que existe e o que não existe. vivemos de palavras. vamos até à cova com palavras. submetem-nos, subjugam-nos. pesam toneladas, têm a espessura de montanhas. são as palavras que nos contêm, são as palavras que nos conduzem. mas há momentos em que cada um redobra de proporções, há momentos em que a vida se me afigura iluminada por outra claridade. há momentos em que cada um grita: - eu não vivi! eu não vivi! eu não vivi! - há momentos em que deparamos com outra figura maior, que nos mete medo. a vida é só isto?


[húmus - Raúl Brandão]

more than this...


there is nothing...
Já há algum tempo que eu andava para dizer de minha justiça sobre estas Olimpíadas, mas só agora consegui parar de rir com as desculpas dadas pelos atletas portugueses pelas lindas figuras que lá foram fazer (tirando a Vanessa, claro, que mesmo tendo o pai sempre a guinchar atrás dela - "vai Vanessa, tu consegues Vanessa, anda lá, Vanessa, importante é participar, Vanessa, tu és mais forte, Vanessa, dá um beijo à mãe, Vanessa" - lá conseguiu trazer uma medalhinha para compor o ramalhete da desgraceira nacional).


Já se sabe que uma pessoa (reformulo, um português) nunca vai para lá com grandes expectativas, mas pronto, há sempre aquela restiazinha de esperança em que todos os adversários sejam acometidos de uma qualquer virose que nos permita chegar ao ouro. Ao bronze. Vá, a qualquer posição acima do 10º lugar. Mas já que não ganham nada que se veja, o mínimo que se pede aos nossos atletas (?) é que não venham para a televisão, ainda ofegantes, lançar um conjunto de desculpas que fazem a nação ter um bocadinho (de nada) de vergonha. Deve ser do esforço (?), sobe-lhes ali qualquer coisinha à cabeça e vá de dizer a primeira parvoíce que se lembram.


Começámos logo com a promissora Telma Monteiro (um dia gostava de falar sobre a relação entre o penteado com que ela se apresenta nas competições e o respeito que as adversárias lhe têm, mas fica para outra oportunidade). Antes de ir o discurso era "vou para ganhar todas as provas". Depois de ter apanhado de toda a gente, apresenta-se com ar de kalimero, a queixar-se do árbitro (malandro, pá!) e a dizer que as adversárias parece que só andaram a estudar para lhe ganhar (brilhante). De facto, ele há gente malvada neste mundo! Adversárias que estudaram para lhe ganhar, onde é que já se viu? Não se faz, a sério. Tem razão em queixar-se do árbitro, pois tem! Então as outras gajas batem-lhe, assim à descarada, e ninguém intervém, ninguém faz nada, fica tudo impávido e sereno a ver a Telminha apanhar?? É isto o espírito olímpico? Deixar que as adversárias estudem para ganhar às outras? Então não é tudo paz e amor, dar sempre a outra face? A sério, alguém que reveja as regras do judo, porque estudar para ganhar às adversárias parece-me uma coisa inconcebível. Muito feia mesmo. A Telminha, por exemplo, parece que só estudou para apanhar, nunca para dar. Está certo, ser amigo é isto mesmo.


Ainda no judo, a medalha de ouro para a parvoíce vai para Pedro Dias. Conquistou o 9º lugar - o que é uma merda - , mas isso parece não ter grande importância, já que o rapaz só foi a Pequim para resolver uma questãozinha passional. Ou seja, ir às trombas ao brasileiro João Derly que, safado, em tempos lhe fanou uma namorada. E pronto, menos mal, ao menos esse objectivo foi cumprido e Pedro Dias veio para a televisão dizer que "levou um par de chifres" (expressão do próprio), mas que "humilhou" o judoca brasileiro no tapete. Mais uma prova do bonito espírito olímpico. Ora o brasileiro não vai de modas e manda avisar que o espera no Brasil para o ajuste de contas. E, desconfio, nem vai ser preciso chegarem ao tapete, a coisa deve-se resolver logo no aeroporto. Bonito.


No que toca à natação, o problema parece ter sido com o fatinho de banho. Diz que o Phelps papou tudo quanto era medalha de ouro porque tinha uns fatinhos especiais da Speedo feitos em Paços de Ferreira. Tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe. É que cada exemplar custa para cima de 700 euros e nós, já se sabe, somos pobres. Por isso, um nadador português teve que usar um fato emprestado por um amigo, outra teve que enviar uma carta à Speedo a implorar a todos os santinhos que lhe dessem um, que ela era muito pobrezinha mas trabalhadora, e um fato faria toda a diferença. Não fez. Nem para ela nem para todos os que usaram o tão desejado Speedo Racer LZR. E, tenho para mim, mesmo com uns calções ali da Sportzone, o Phelps safava-se na mesma, assim à grande.


Mas a minha desculpa favorita (ainda estou espantada com tamanho brilhantismo) foi a da atleta Vânia Silva, que competiu no lançamento do martelo. Ora bem, esta senhora ficou em 46º (deviam ser 47... ah, esperem, não, vi agora que eram 50. Nada mau, Vânia!) e o melhor que se lembrou de dizer foi (preparados? É que esta é mesmo boa, pá!): "não sou muito dada a este tipo de competições". Hmmmmm. Certo. Então? A que tipo de competições é dada a querida Vânia? Ao campeonato de lançamento de martelo lá do bairro onde vive? Andou uma eternidade a treinar (ou não) e ninguém lhe explicou que era para ir aos Jogos Olímpicos? De repente deu por si e "olha, querem lá ver, estou em Pequim", foi? E ainda acrescentou que o problema foi serem só três lançamentos, porque em Portugal são seis. Se fossem 220 é que dava mesmo jeito, não era? O que é que se há-de fazer, há gente assim: fraquinha ao terceiro lançamento, mas uma bomba ao quarto. A culpa não é da Vanucha, coitada.


O dinheiro que se gastou para levar esta gente a Pequim dava para alimentar quatro países africanos, mas depois ainda se leva sempre com a conversa da falta de apoios, ninguém quer saber destas modalidades, tive que vender o gato para poder comprar uns ténis, blá blá blá whiskas saquetas. E está tudo muito certinho, uma pessoa até acredita que seja verdade mas, pelo amor da santa, deixem-se de merdas. Basta um "não deu para mais" e nós reviramos os olhos, suspiramos mas, ao menos, não vos ficamos a achar idiotas. Sugiro que só voltemos a participar nos jogos Olímpicos quando os mesmos se realizarem em Portugal, que isto de andar a pagar férias em Pequim é coisa que não se compadece com o dinheiro dos contribuintes (adoro esta expressão).

E a minha preferida. Quando vi isto juro pela minha saudinha que ri até às lágrimas. É, simplesmente, maravilhosa. A melhor desculpa dos olímpicos vai paraaaaaaaaaa:

Miguel Ralão Duarte, cavaleiro, forçado a desistir porque a égua "entrou em histeria". Diz que se assustou ao ver os ecrãs electrónicos. E parece que estou a ver o pobre Miguel, a empurrar a bicha para o recinto, e ela que não "ai, que estou nervosa, ai que eu não estou bem, ai, não me obriguem, ai que eu fico-me aqui, ai, tragam-me açúcar, ai que eu estou a ver a luz, eu não quero ir, eu já disse que não vou, a sério, se me obrigarem eu guincho! Iiiiiiihhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh". Clap clap clap! A melhor desculpa dos olímpicos.


clair de lune piano - Debussy
O lobo perde o pêlo, mas não perde o vício.

22 de agosto de 2008

Era uma vez um pequeno momento cinematográfico visto de uma janela. Uma mulher paraplégica levara a filha pequena para um passeio. Por sua vez a filha tinha um cão ainda mais pequeno, a quem atirava insistentemente uma bola atrás da qual corriam os dois.
A mãe sentada na sua cadeira de rodas, a assistir a tudo e a rir-se ás gargalhadas; a filha e o cão a correrem. Movimento versus estagnação? Not really. Uma condição não determina nada.
A leveza des petit chôses a determinar a felicidade.

21 de agosto de 2008

Why do you keep on running
This love is fading way to fast
All the stars are burning (for you)
But none of them is going to last
So stop chasing the past

As soon as the storm is over
And all the fog is clear
I've promised to send out for you


José Gonzales, Storm
Utilizara todas as forças que conhecia, e que desconhecia em si em prol de rumar a historieta a bom porto. Um dia acordou cansada de andar naquele barco que não haveria de mudar de rumo nunca, analisou as condições, coordenadas geográficas e posições astrológicas. Largou os remos. Perdida por cem, perdida por mil. Se era para remar por alguém que remasse por ela e não pelo por algo mediocre.
Não, o médio não é bem bom. É apenas médio.


and we would go on as though nothing was wrong
and hide from these days we remained all alone
staying in the same place, just staying out the time
touching from a distance,
further all the time

(...)

[transmission, 1979]

words: ian curtis
music: joy division

"- Se há coisa que sempre me enojou profundamente no homem é realmente ver como a sua crueldade, a sua baixeza e a sua estupidez arranjam maneira de se disfarçar sob a máscara do lirismo.
Essa mulher mandou-o para a morte e viveu esse facto como a proeza sentimental de um amor ferido. E você subiu ao cadafalso por causa de uma mulherzinha limitada, com a sensação de desempenhar o papel de uma tragédia que Shakespeare tivesse escrito para si."

A valsa do Adeus, Milan Kundera
A Valsa do Adeus
Milan Kundera

20 de agosto de 2008

La Vie En Rose - Edith Piaf
Far from conservative
The director Roland Emmerich, best known for his high-budget, spectacle-filled films like “10,000 BC” and “Independence Day,” told his designer to make his house "as nonfrumpy as possible."

para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa, sacodes tapetes, limpas o pó
e o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

[mudança de estação - Al Berto]
Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.

É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.

Tu és melhor -- muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.

Mário Cesariny