16 de agosto de 2008

Na realiadade, acho que há momentos certos para as pessoas e cada um tem o seu caminho. Não vale a pena nós puxarmos a pessoa para determinada coisa, quando ela não está preparada para ver. Mas tenho a certeza que mais tarde irá ver. E isto acontece-me sempre, sempre.
"Encontrámo-nos desde o primeiro dia entre o imperativo de criar e a impossibilidade de criar o que quer que seja. Foi aí que nos encontrámos da primeira vez e nunca mais saímos. Até hoje, sim, hoje, apesar de não nos vermos há anos e da última vez que falámos pelo telefone sabermos que era a última vez, embora nos mentíssemos tanto que quanto as circunstâncias o permitiam trocando números de telefone, endereços electrónicos, apartados abandonados nos correios.
Não estou para mais ninguém se não para ti, ouviste.
Sim, ouvi, e continuo a ouvir, embora seja verdade e mentira ao mesmo tempo."


Quase gosto da vida que tenho, Pedro Paixão

"Chama-se Kaffeehaus e abriu as portas há um mês. A localização, junto ao Teatro São Carlos, foi obra do acaso, mas não podia ter sido um acaso mais feliz: o palco número um da ópera na cidade de Lisboa é o vizinho perfeito para este café austríaco que quer “ter os elementos do típico café vienense, mas de uma forma moderna.”
in Timeout



Kaffeehaus. Rua Anchieta, 3.
21 095 6828.
Ter a Qui, das 11.00 às 00.00; Sex e Sáb das 11.00 às 02.00; Dom das 11.00 às 20.00"

15 de agosto de 2008



Hot Clube de Portugal O Hot Clube fica numa cave escura na Praça da Alegria, em Lisboa. A entrada é insuspeita - uma porta pequena, iluminada por um candeeiro de luz fraca. Obrigatório para quem gosta de jazz.

Kitsuné Maison


14 de agosto de 2008

The importance of stupidity in scientific research
Martin A. Schwartz
Department of Microbiology, UVA Health System, University of Virginia, Charlottesville, VA 22908, USA
Journal of Cell Science 121, 1771 Published by The Company of Biologists 2008

You go your way, I'll go your way too

Leonard Cohen

Carrie
“Sex and the City.”
by Anthony Lane

Not a drop of the forthcoming plot had been leaked in advance, but I took a wild guess. “Apparently,” I said to the woman behind me in line, “some of the girls have problems with their men, break up for a while, and then get back together again.” “Oh, my God!” she cried. “How do you know?
(...)
Faced with the flimsiest of concepts, he had to take it by both ends and pull until he stretched it out to two and a quarter hours. Two and a quarter! When Garbo made “Anna Karenina,” in 1935, she got happy, unhappy, loved, left, and under the train in less than a hundred minutes, so how the hell are her successors supposed to fill the time?





more in "The New Yorker"
ALINHAR NA EQUIPA BARATA DO FALAR CARO
Ferreira Fernandes in DN

Cristiano Ronaldo (CR) deu uma entrevista ao Público. A dado passo, o jornal escreve que CR "bate com a mão no coração". Logo, foi entrevista falada, não daquelas em que se mandam perguntas por escrito e os assessores respondem em língua de assessores. Só posso acreditar - e é isso que me preocupa. Segundo a entrevista, CR disse: "E, antes que surjam rumores e especulações no sentido de que vou ficar contrariado, quero já esclarecer uma coisa..." E: "(...) Estar-lhe-ei eternamente grato." E: "Sabia, designadamente ..." E: "(...) Mas nada disso pesou de forma decisiva." E: "Foi o cumprir de um sonho." E: "Não vale a pena anteciparmos quadros." E assim por diante. Pois eu não lhe 'tou grato por ele falar como Paulo Rangel interpela o Governo. Não vai a bota do mais genial dos extremos com a perdigota do falar de um qualquer professor agregado. CR corre, não tem motricidade; CR é bom sempre, não tem sustentabilidade. Se ele falasse como parece na entrevista, a transferência não seria para o Real Madrid mas para o ISCTE.
(clicar)
Um padrasto decente para o Gongas

Três gerações de mulheres combatem a solidão, os brandos costumes e a língua portuguesa

A vida não é fácil para as mulheres de Português Suave. Atormentadas à partida pelos habituais albatrozes de serviço (os «homens», a prosa), elas têm ainda de negociar os seguintes obstáculos: desgostos amorosos, tragédias familiares, mentalidades conservadoras, um país estagnado, uma sintaxe catatónica, um enredo à beira do colapso e a distinta possibilidade de o leitor perder os sentidos a qualquer momento, deixando-as a lutar sozinhas.

Grande parte da história é narrada por Leonor, que se encontra num ponto de viragem: «Cheguei a um beco sem saída e quanto me senti no fundo, olhei para cima e disse para mim mesma: agora vais ter de subir a puta da montanha.»Abandonada por Pepe, «com quem nunca devia ter casado», Leonor vive sozinha com o seu filho Gongas, que lhe «forra a vida a papel-de-seda». O Gongas precisa de um padrasto e a Leonor precisa de sexo, porque «o sexo afasta a morte». Poderá Luís Maria preencher estas lacunas? Às primeiras impressões, parece o candidato ideal: «Vestia-se bem, cheirava a Davidoff, não usava meias brancas nem tinha mau hálito.» Este soberbo naipe de características oculta um lado significativamente menos soberbo. O idílio é breve; Leonor vê-se trocada por uma «gaja manhosa» que «passava a vida nos copos no Plateau» e «servia de vazadouro a toda a cidade». A aposta seguinte é Constantine, que acaba por não preencher os requisitos necessários, apesar da sua intrigante abordagem circense à prática sexual, que deixa Leonor a sentir-se ao mesmo tempo «a menina do trapézio sem rede e o palhaço sem graça, sem intervalo para vender gomas e pipocas».


A prima Naná não tem melhor sorte. João, o seu grande amor, morre num desastre de automóvel. A memória é tão dolorosa que a linguagem desfalece em silepses involuntárias: «O João era o tipo de homem que adivinhou de que tipo de lingerie é que eu gostava» (isto, diga-se, é o tipo de coisa que um tipo faz que deixa qualquer tipa doida). João lia muito e «falava-lhe de conceitos», dispensando aforismos tão contundentes como «a confusão é o início de uma nova realidade».


Entretanto, uma fotografia precipita a revelação de um segredo, provocando o pânico entre os sinais de pontuação. «A mãe andou com o tio Nuno????» Ainda à procura da montanha no topo do beco sem saída, Leonor veste a sua camisa de noite curta de seda» e faz o que faria qualquer pessoa racional na sua situação: envolve-se com um «hippie» holandês chamado Thomas. «O que tu precisas é de relaxar um bocado», diz-lhe o perspicaz Thomas, enquanto enrola um charro. Será este «o tal»? Leonor apaixona-se. Naná torce o nariz. Gongas dorme em casa da avó. A tia Joana vai morrendo de «esclerose lateral amiotrófica». Thomas acaba por regressar a Amesterdão, apavorado pelo enredo.


O tempo passa e o país avança, devagarinho. Acompanhamos a transição democrática, de um tempo em que a PIDE «interrogava pessoas a torto e a direito» até ao pós-25 de Abril, em que «se apregoava a liberdade a torto e a direito». Já nos anos 80, «o dinheiro e o poder cortam cabeças a torto e a direito».


Seria um erro medir Português Suave contra a realidade. O livro é uma fantasia extraterrestre e a acção decorre num universo paralelo em que a «alma viaja à velocidade de um camelo» e a linguagem há muito faleceu, possivelmente de esclerose lateral amiotrófica. Um automóvel destroçado pode assemelhar-se a um «pão de leite»; uma personagem pode ser comparada a uma «almôndega feliz» e outra pode mudar de nome no espaço de quatro páginas; pessoas podem «comer-se literalmente dentro de um carro», ou «viver literalmente do ar», ou até ficar em casa «literalmente a olhar para ontem».


A vida não é fácil para os leitores de Português Suave. Mas, arrastados pela exuberante vitalidade das protagonistas, lá conseguimos trepar pelo beco sem saída e chegar ao topo da puta da montanha, emergindo gratos e atordoados, como almôndegas felizes, naquele lugar mágico onde o amor triunfa a torto e a direito e o futuro é literalmente risonho.


Rogério Casanova no Expresso.
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Quando estou mal disposta
(E estou-o muitas vezes...)
Mudo o sentido às frases,
Complico tudo...

Sam Sparro the album is a joy. A warm hug of a record, it’s smooth, stylish and classy with a big heart. Go listen for yourself.


13 de agosto de 2008

«To photograph is to hold one’s breath, when all faculties converge to capture fleeting reality. It is at that precise moment that mastering an image becomes a great physical and intellectual joy. For me, photography is to place head, heart and eye along the same line of sight. It is a way of life.»

12 de agosto de 2008

chemical brothers - saturate
There is a line among the fragments of the Greek poet Archilochus which says:
'The fox knows many things, but the hedgehog knows one big thing'. Scholars have differed about the correct interpretation of these dark words, which may mean no more than that the fox, for all his cunning, is defeated by the hedgehog's one defense. But, taken figuratively, the words can be made to yield a sense in which they mark one of the deepest differences which divide writers and thinkers, and, it may be, human beings in general.
For there exists a great chasm between those, on one side, who relate everything to a single central vision, one system less or more coherent or articulate, in terms of which they understand, think and feel-a single, universal, organizing principle in terms of which alone all that they are and say has significance-and, on the other side, those who pursue many ends, often unrelated and even contradictory, connected, if at all, only in some de facto way, for some psychological or physiological cause, related by no moral or aesthetic principle; these last lead lives, perform acts, and entertain ideas that are centrifugal rather than centripetal, their thought is scattered or diffused, moving on many levels, seizing upon the essence of a vast variety of experiences and objects for what they are in themselves, without consciously or unconsciously, seeking to fit them into, or exclude them from, any one unchanging, all-embracing, sometimes self-contradictory and incomplete, at times fanatical, unitary inner vision. The first kind of intellectual and artistic personality belongs to the hedgehogs, the second to the foxes.



Isaiah Berlin
Aldeia Sudoeste,

http://www.videos.iol.pt/consola.php?projecto=368&mul_id=11970385&tipo_conteudo=1&tipo=2&referer=1


Festival Sudoeste: Chemical Brothers

No exacto momento em que os Chemical Brothers entram em palco, o recinto, a rebentar pelas costuras, transforma-se numa gigantesca discoteca.

Absolutamente do além.





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