14 de maio de 2008

Dá-me o teu mundo outra vez.

13 de maio de 2008

"A memória como uma maldição. Caímos na eternidade e a memória é um peso, continua a prender-nos em qualquer ponto para onde nunca poderemos voltar. Ó lua, ó luar, /eu fi-lo nascer/ ajuda-mo tu a criar. A memória é como a esperança da minha mãe na noite em que me ergueu à lua e, sem saber, me escolheu um destino. Lembro-me de quando nos conhecemos e esse dia está debaixo do teu olhar e desta noite. Lembro-me da minha mão pousada sobre a tua e esse instante está debaixo da palavra solidão. Lembro-me de tantas coisas impossíveis. Agora, caminho por esta manhã deserta."



José Luis Peixoto; excerto de "Lunar", in Antídoto
"Silêncio que me prende.. silencio que me mata.. silencio que eu adoro"

José Luís Peixoto
Vem cá
Da-me o teu mundo outra vez
Lembra-te daquilo que eu te dou
E tu nao ves
Quando, nao estas, quando nao estas


Eu nao consigo perceber
Por favor, diz me a mim
Mudaste tanto, desde o dia em que eu te conheci
Parece facil esquecer
Mas so eu sei a dor
Sinto falta do teu abraço
Desse teu calor

Custa-me muito continuar sem te pedir,
Um beijo de bom dia
E a vontade de sorrir
Sair pra rua, e gritar que so te amo a ti
Ver-te na minha cama toda nua
E sentir

Falar bem baixo ao teu ouvido
Sem te acordar
Dizer-te que es tudo, e que nunca te vou deixar
Fazer as juras de sangue, saliva ou suor
Contar-te a minha vida
E entregar-te o meu amor

Eu juro nao, eu juro nao
Eu juro nao te vou deixar

Vem cá
Da-me o teu mundo outra vez
Lembra-te daquilo que eu te dou
E tu nao ves
Quando, nao estas, quando nao estas


Sera que vai ser tao dificil
Ter o teu olhar
Despir a tua voz
E conseguir fazer-te amar
Pois o amor nao tem sentido
Nao tem explicaçao
Eu e tu, sempre fomos um, nao entendo esta divisao

Nao pode ser, nao posso acreditar
Estiveste aqui
Nao sei se foste por azar
Ou estava escrito assim
Nao sei se é normal
Olhar para tras, pensar que estas
Nao sei se é banal
Mas juro nao te vou deixar

Vem cá
Da-me o teu mundo outra vez
Lembra-te daquilo que eu te dou
E tu nao ves
Quando, nao estas, quando nao estas

Love this, lembra-me super Porto.

12 de maio de 2008

Gosto muito de tomar o café na minha caneca cor de rosa, ou na do gato, sentar-me com as pernas à chinês, enquanto ponho músicas e vou vagueando por sites.
Gosto muito de pensar em como isso me lembra de ti, e de quando moravamos as duas juntas, e por mais furiosas que estivessemos com a vida, tomavamos sempre café as duas, com o seu robe, tu a pastar naquele sofá amarelo ranhoso, e eu sentada ao pc, a girar na cadeira na maior parte das vezes, arrastando-me dum lado para o outro da sala, enquanto tu dizias
" - Vê se paras um bocadinho, estou cansada de te ver em movimento", ao que eu geralmente respondia que estava excitada com alguma coisa.
O ritual perpetua-se. Já não vivemos juntas, já não posso contar sempre com o teu abraço (pelo menos in person), já não me mandas chorar, mesmo depois de eu dizer mil vezes que não choro. Não posso reclamar dos homens da minha vida, e muito menos te tenho por perto sempre que me arranjo durante horas a fio, a dizeres "cheiras tão bem..." " a casa cheira toda a ti..." "nunca vi ninguém tão vaidosa..." .
Fazes-me falta, na tua presença e apoio constantes. No pilar que te tornaste na minha vida, e na calma que me transmites. Faz-me falta poder estudar no chão ao teu lado, e poder ir para a janela atirar àgua. Tenho saudades das nossas conversas de adultas, e das minhas previsões astrais. Tenho saudades das tuas imitações, dos nossos videos, dos teus conselhos (sempre acertados) e de que me relembres constantemente que sou meia avariada das ideias.
Tenho saudades de ouvir o Rachelzinha e que cantes o douda douda. Mesmo.
De qualquer das formas, sempre que bebo café nestas canecas que ouviram tantas histórias, lembro-me dos nossos rituais, e lembro-me de ti. E isso vale o mundo inteiro, porque muita gente não te teve, mas eu meu bem? Eu tenho-te comigo prá vida. (Ora essa!) E mesmo quando for uma velha muito senil, vou contar as nossas peripécias aos nossos netos, e hei de sempre dizer, que a experiência mais fabulosa da minha vida, foi morar contigo. Porque foi. E por isso, não vou ficar triste por me estar a lembrar disto tudo, vou continuar a bebericar o meu cafezol, e fingir por um bocadinho que estou contigo outra vez no sofá, (sim, tu estás embrulhada naquele robe absolutamente nojento, com que andas sempre e eu possivelmente estou irrequieta) mas o importante é que estamos juntas, e independentemente do que se estiver a passar nas nossas vidas no momento, sabemos que estamos lá uma para a outra (que o diga a noite da flower).

Barros, és a melhor amiga que posso ter.

Um beijo da tua tarada preferida.*
Voltar atrás. Sentir tudo outra vez, como se voltasse a viver as situações. Na pele. Sempre. Será de mim? Ou acontece aos outros?




Para ouvir alto, de olhos fechados.
Images and colours? Can you tell?
La habitation de Fermat


Yes, I had so much fun, and now I'm so screwed. GREAT!

11 de maio de 2008

I know everybody is proud of him, but I am not. And I do not wish him well.


Dr. Yang, Grey's Anatomy, Episode 14 Season 4.
Entendo, aceito, e até gosto do que me aconteceu. Não poderia ser de outra maneira, só nos apercebemos de como não evoluimos quando mudamos de sítio.
Precisava/ queria / desejava afastar-me de muita coisa, para poder analisar tudo de uma forma mais indiferente e serena. Aparentemente os caminhos mais difíceis são os mais benéficos. Em proveito próprio claro, e com perdas evidentes. "Não consegues nunca dar um passo à frente, sem antes dar dois atrás." Seja.
One step closer ... getting brighter.

10 de maio de 2008

Well, I pitty you.

Não me incomoda, mas tenho pena. E pena é o pior sentimento que posso nutrir. Muito da inteligência de um ser assenta em conseguir decidir acertadamente tudo o que lhe surge como bifurcação: amigos, namorados, posturas, opiniões, partidos, e mais que isso, tomá-los em tempo útil.

Não gosto de grandes lacunas a nível de atitude, não gosto de gente fraca que vive de aparências. Tenho pena. Muita pena, por saber que essas pessoas num dia ou noutro, ficarão com os amigos de peito, que não são mais do que uns sacanas gananciosos que querem festa, fama, e proveito, ou que equivale a ficar sozinho no seu mundinho imaginário. Tenho mais pena ainda, por entender que essas pessoas são burras ao ponto de se deixarem ir nessa conversa, e de não terem o discernimento necessário para fazerem por si.

Irrita-me alguém que não faz por si. Cheira-me a falta de sangue na guelra, apatia, indiferença, e mediocridade. Não é de hoje, nem de ontem, nunca gostei de alminhas básicas, e nunca vou aprender a gostar.

É uma pena, realmente.
- Também eu passei por toda uma fase não diria de arrependimento, mas de questionamento se teria seguido o caminho certo. Acontece-te isso quando entras no curso, e volta a acontecer-te quando o acabas, porque vês os teus amigos todos formados e já a trabalharem, e tu com pano para mangas pela frente.
Não escolheste o mais fácil dos caminhos, mas aposto que foi precisamente por isso que o escolheste.
- Ando a questionar muita coisa na minha vida. Mas tenho praticamente 100% de certezas que as decisões que tomei, foram tomadas em consciência, e como tal, bem tomadas. Mesmo que discorde delas agora, foram tomadas em consciência na altura, não tenho culpa de a minha personalidade se ir moldando todos os dias.
- Não tinhas uma frase para isso?
- Eu não sou eu, sou eu e as minhas circunstâncias.
- Diria então que de momento és uma mulher, e não uma rapariga, com as suas circunstâncias.
i decided this decision some six months ago
so i'll stick to my guns, but from now on it's war
i am armed with the past, and the will, and a brick
i might not want you back, but i want to kill him

and leave the rest at arm's length
keep your naked flesh under your favorite dress
and leave the rest at arm's length
when they reach out, don't touch them, don't touch them



Good Arms VS Bad Arms by Frightened Rabbit
The becoming of the "stick to the plan"


CUMPLICIDADE
(...)No rosto dele, a esperança. No rosto dela, mais do que a esperança. Encontramo-nos. Encontrámo-nos. Encontraram-se. Foi ele que caminhou a distância pequena que ainda os separava. Foi ele que estendeu os braços. Ela baixou o olhar entre o seu corpo imóvel e a terra. Os braços dele sem uso. As palavras formaram-se dentro dela. As palavras aproximaram-se dos seus lábios. No silêncio, entre os seus rostos, as palavras existiram e foram um eclipse. (...)



José Luis Peixoto; "Ao Adormecermos Eternamente", in Antídoto,