23 de setembro de 2007

Aprendi que a vida se constrói para além da nossa vontade. Que não caminhamos sobre terra firme, mas sobre água que os nossos rastos confunde e apaga. Que as minhas palavras fogem de mim para longe, mal são ditas, se separam. Que os corpos têm desejos infindáveis que desconhecemos e assustam muito. Que o mundo que me ofereciam era vazio e silencioso e triste. Que a morte caminha, passo a passo, ao nosso lado. Não foi de repente, foi quando, pouco a pouco, me deixaram, me traíram, me mentiram e eu decidi vingar-me.

Quando uma mulher deixa de amar um homem

Já nada serve tentares enganar-te a ti próprio, jogares para a frente o destino. Acordas numa manhã igual a todas as outras com a certeza que o amor não se repete. Percebes, deitado de costas, com uma irrecusável nitidez que quem amas se quer ver livre de ti para sempre e só ainda tem a piedade ou a pena de não te dizer pelas palavras mais simples. Quer que o descubras por ti e partas por tua livre vontade. Como se tivesses lugar para onde ir. Não ousas tocar-lhe, não ousas dizer uma palavra sequer, choras baixinho para que não acorde. Não ousas mexer-te, com receio de ouvires as palavras temíveis. Gostavas que tudo fosse um sonho, um pesadelo, mas sabes bem que não. Sentes tanto medo que continuas imóvel. Não sabes para onde fugir, onde te esconderes. Quem se encontra deitado ao teu lado é o teu perigo, e não tens qualquer esperança, nem vontade, de lhe sobreviver. Sentes só uma dor aguda no peito que vai e volta para se fazer melhor sentir, uma faca que te espetam devagar e com maldade. Quem te amou e deixou de te amar, que se enganou, uma coisa tão simples como isso, tão vulgar como esta, só que és tu que estás ali parado e ferido sem te poderes levantar, sem poderes acabar o que quer que seja ou recomeçar o que quer que seja, nesta manhã igual a todas as outras em que descobres o que já sabias e maldizes a vida que por instantes vos uniu e vos separou.

Pedro Paixão

Yersinia?

Sesimbra recria Lota Antiga
Centenas de pessoas reviveram azáfama da pesca vivida há 40 anos (SAPO)
Sesimbra assisiu este sábado à recriação do ambiente vivido na lota de pesca há cerca de 40 anos.




Por esta ordem de ideias, ontem o Norte Shopping recriava ontem o Portugal da idade média, num misto de criaturas com peste negra e os restantes com escorboto. Tive ainda o privilégio de assistir à recriação do ambiente vivido em Custóias, tamanha era a quantidade de gunedo naquela loja. Céus. Obrigada Câmara Municipal. (y)

Messias

CDS
Paulo Portas convicto que tem «missão a cumprir» (DD)
Palpita-me que sim. A Opus Gay deste país precisa de um líder.

Ladies*

X1- Bj Bj vou apanhar sol
X2 - Bj .. vou apanhar sida...

Inferno

"Risquei com raiva o teu número de telefone da minha agenda. Deito-me e começo a repetir em silêncio o teu número de telefone, não consigo deixar de o dizer, como se fosse a única coisa que pode derrotar a minha consciência por inteiro. Um número tão poderoso que sem ele a minha vida corre o risco de se desfazer, de se perder sem nunca mais voltar a encontar-se. Como se estivesse condenado a repeti-lo até ao fim dos dias, como castigo de te querer como te quero, por maldição. Quero parar este inferno e não consigo. Por fim, exausto, esqueço-me de mim, de ti, de tudo, durante alguns minutos e depois recomeço. O teu número de telefone que me amarra a este mundo que quero fugir."
Pedro Paixão


Para onde eu vá, para onde quer que olhe, sempre que alguma coisa me faça sorrir, que seja bonito ou diferente, ou me faça ter medo ou impressione, vou ter vontade de a partilhar contigo. Porque em todos os recantos de mim existem fragmentos de ti.

Fumo e Depressão

"Recomecei a fumar. Tinha saudades. O meu médico diz que é bom sinal. Que estou menos deprimido. Que quando se está deprimido até ao prazer de fumar nos escusamos. Parece-me curioso mas acredito. O meu médico fuma cigarros consecutivamente e não me parece nada deprimido. Como seria um psiquiatra deprimido, com a sua própria vontade de morrer, a tratar as depressões dos outros?

Voltei a fumar tal como deixei de fumar. Sem dar por isso. De um dia para o outro. É bom fumar. É uma metáfora do mundo. Tanto tempo para as coisas se mostrarem, se fazerem, tão pouco para desaparecerem, tão pouco para durarem. O tempo de fumar um cigarro até meio."


Amor Portátil, Pedro Paixão
Never fadeeeeeee from my mind... YOU are always there.. when i close my eyes

Ponte de lima

22 de setembro de 2007

" - Estou disposto a fazer o que for preciso, e a sacrificar o que for necessário para ficar contigo. És a coisa mais importante que tenho, e o que de melhor me aconteceu. "
E não me venham cá com tretas de que vai ser melhor, e de que é exactamente isso que preciso. É uma grandessíssima porra falar sobre o desconhecido. Por agora, preocupa-me apenas deixar o que deixo para trás. Partir sozinha, rumo a sei lá o que, por um capricho e nada mais.
Custa-me deixar os meus lugares, as minhas rotinas, os meus cheiros, e os meus trilhos diários. Ser obrigada a por reticências em tudo, e a empacotar a minha vida em meia duzia de caixotes, como se isso fizesse a diferença e fosse fácil.
Não é. Não estou preparada fisica ou psicologicamente para empacotar os meus amigos, os meus amores, os meus roteiros e rotinas, e mais o que quer que seja. Não quero mudanças. Não quero pensar que daqui a uma semana tudo será bem diferente, não por vontade minha mas por força das circunstâncias.
Uma merda. É o que isto é. Porra de vida mais estupida a minha.
Change, changes things

Amo-te


Porto
"Sinto-me triste
E hoje posso dizer isto
Posso gritar no meu silêncio
Ou esticar-me, na minha dor
Posso qualquer coisa
Menos descansar o corpo em ti
E não te perdoo mais
Esta ausência forçada
Em que me deitas quase nua
Enquanto a chuva cai sobre mim."

Rita

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Eugénio de Andrade
Se agora fosse
o dia
que não veio
e eu fosse, ainda,
o mesmo
que não sou,
seria a madrugada,
apenas,
um anseio
dum sonho
morto a meio
que o pôr do sol
sonhou…
Alfredo Reguengo
Poemas da Resistência

*

Sim, caso.
Sad & Depressed mood

You're

just too good to be true*