26 de maio de 2017

(...)
– Anda brincar comigo – pediu-lhe o principezinho. - Estou triste...
– Não posso ir brincar contigo – disse a raposa. – Ainda ninguém me cativou...

(...)
– «Cativar» quer dizer o quê? – Perguntou o principezinho?
– É a única coisa que toda a gente se esqueceu – disse a raposa. - Quer dizer criar laços…
– «Criar Laços»?

- Sim, laços – disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti...

- Só compreendemos o que cativamos – disse a raposa. – Os homens deixaram de ter tempo para compreender o que quer que seja. Compram as coisas já prontas nas lojas. Contudo não há nenhuma loja onde possa comprar-se amizade e, portanto, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me…


- E tenho de fazer o quê? - Perguntou o principezinho.
- Tens de ter muita paciência – respondeu a raposa. - Primeiro, sentas-te longe de mim…assim…na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não me dizes nada. As palavras são uma fonte de mal-entendidos. Mas podes sentar-te cada dia um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.


(...)
Foi assim que o principezinho cativou a raposa. Mas quando chegou a hora da despedida:
- Ai! - Exclamou a raposa – ai que me vou pôr a chorar...
– A culpa é tua – disse o principezinho.- Eu não te desejava mal nenhum, mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Pois quis - disse a raposa.
- Mas agora vais-te pôr a chorar! - Disse o principezinho.
- Pois vou – disse a raposa.
- Então não ganhaste nada com isso!
– Ai isso é que ganhei! - Disse a raposa. - Por causa da cor do trigo... – E em seguida acrescentou:

-Anda, vai ver as rosas outra vez. Vais compreender que a tua é única no mundo. Quando vieres ter comigo, dou-te um presente de despedida: conto-te um segredo.

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