10 de dezembro de 2010

Não é fácil, de facto, ir ao supermercado em Paris. Ainda estou com um bocado de indigestão por ter dado 2.60€ por 4 cebolas. Passa-se isto:

  • A Gestapo gere o fiambre nos supermercados parisienses. Só assim consigo explicar como é que um gajo faz peregrinações de km para encontrar uma única prateleira, num hipermercado claramente maior que a Arca de Noé, dedicada a charcutaria onde pude alegremente ler: "Les simples plaisirs de la saucisse". Se Voltaire fosse vivo, apostava o meu dinheiro (literalmente), em como ele se inspiraria nestas sábias palavras para escrever a sua próxima grande obra-prima "A Salsicha Contemporânea" com epílogo de José Figueiras (vide aqui).
  • Durante anos achei que os portugueses eram o povo mais oportunista do Mundo. Deliciava-me a apreciar o requinte com que toda a gente, se deleitava a ler revistas na peculiar secção de imprensa dos hipermercados. Julgava eu, que este tipo de atitude alienígena era típico de sociedades ostracizadas, que por terem de gramar com os acufenos da Júlia Pinheiro e o fenómeno de incandescência do Manuel Luís Goucha, viam nestes momentos uma oportunidade para soltarem a sua volaille. A meu ver, a falência da Playboy Portugal, é explicável por esta ter a capa que menos se confunde com os rótulos dos detergentes de supermercado. Hoje descubro, com alguma surpresa, que os libertários utópicos dos franceses fazem o mesmo.


Esta semana não se discutiu mais nada a não ser a formação do novo governo em França.

Uf, que povo atrasado! Ainda bem que nós somos suficientemente civilizados para ter notícias interessantes.



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