Temo ser verdadeira, aquela ideia que diz que sempre que o mundo avança, algo nele tem de andar para trás. Passa-se o mesmo nas nossas vidas: sempre que damos um passo em frente, tivemos inevitavelmente que dar dois ou três atrás. Escolher outra opção. Mudar de caminho. Apagar um desejo. Condensar uma vontade.
Sempre que julgamos avançar para mais deixamos atrás de nós um sinal de menos. Menos nós. Menos destino. Menos opções. Menos vida. Não sei como se pára este conceito, sei, o meu medo é esse, é que não se pára.
Levantar um dia é perder o que ficou para trás, escrever agora é lembrar sobre o que foi antes, e nunca, durante este tempo todo, temos nada. Tudo o que achamos ser nosso neste presente tão finito há-de desaparecer a certa altura: as nossas certezas, as nossas crenças, as nossas verdades, vai-nos ser tudo roubado e seremos nós os ladrões da nossa desgraça. E cada passo, cada minuto, cada instante, não são mais do que formas rápidas e cruas de chegarmos à nossa tão grande, e inesperada, solidão.
Ainda não sei tudo o que vivi da vida. Mas tenho medo de ter alguma noção do que já perdi nela.
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