"Pois é, nem sempre falo das coisas imediatamente a seguir a elas acontecerem, mas cá vai...
Eu sabia que o ia ver. Ele também. Contudo, toda a distância (de tempo, de quilómetros, de sentimentos) que nos separa obrigou-nos a fingir surpresa. Eu preferia tê-lo visto gordo, feio, com um ar cansado. Aposto que ele também. Lamentavelmente para ambos e felizmente para os dois, nenhum de nós mudou muito desde o último beijo. A aula foi passada com calma, de parte a parte, um sossego natural de dois adultos que ainda têm alguma diplomacia. No fim da aula, pede-me para ficar mais um bocado. Já me tinha esquecido do brilho dos seus olhos, da franqueza do seu sorriso. Fiz um pequeno sinal aos meus colegas de que me juntaria a eles em cinco minutos para jantar. Precisava mais eu daquele limite de tempo que eles.
A aproximação foi subtil, pediu desculpa pelo mal entendido de há uns meses atrás. Perguntou como estava.
Muito bem. Respondi-lhe. Fingi algum desinteresse quando perguntei E tu?
Falou-me do trabalho, da casa nova, da família (nova). Vi-lhe um vazio nos olhos. Se não lhe podia dizer que estava gordo ou tãããããão diferente desde a última vez que o vi, fiz o jogo mais baixo que conheço, só possível para quem (ainda) reconhece todas as variações de sentimentos que aquele rosto mostra:
O importante é que sejas feliz. És feliz?
Ele hesitou na resposta. Depois de o ter agredido, fiz a segunda coisa mais estúpida possível, e "estiquei-lhe" o braço para o ajudar a levantar-se:
Ou que estejas feliz. Estás feliz?
Agradecido pela brecha que lhe dei disse que sim, perguntou-me se queria jantar. Não foi difícil não ceder à tentação e dizer não. Senti o estômago apertado. Jurei a mim mesma que era da fome...
Eu sabia que o ia ver. Ele também. Contudo, toda a distância (de tempo, de quilómetros, de sentimentos) que nos separa obrigou-nos a fingir surpresa. Eu preferia tê-lo visto gordo, feio, com um ar cansado. Aposto que ele também. Lamentavelmente para ambos e felizmente para os dois, nenhum de nós mudou muito desde o último beijo. A aula foi passada com calma, de parte a parte, um sossego natural de dois adultos que ainda têm alguma diplomacia. No fim da aula, pede-me para ficar mais um bocado. Já me tinha esquecido do brilho dos seus olhos, da franqueza do seu sorriso. Fiz um pequeno sinal aos meus colegas de que me juntaria a eles em cinco minutos para jantar. Precisava mais eu daquele limite de tempo que eles.
A aproximação foi subtil, pediu desculpa pelo mal entendido de há uns meses atrás. Perguntou como estava.
Muito bem. Respondi-lhe. Fingi algum desinteresse quando perguntei E tu?
Falou-me do trabalho, da casa nova, da família (nova). Vi-lhe um vazio nos olhos. Se não lhe podia dizer que estava gordo ou tãããããão diferente desde a última vez que o vi, fiz o jogo mais baixo que conheço, só possível para quem (ainda) reconhece todas as variações de sentimentos que aquele rosto mostra:
O importante é que sejas feliz. És feliz?
Ele hesitou na resposta. Depois de o ter agredido, fiz a segunda coisa mais estúpida possível, e "estiquei-lhe" o braço para o ajudar a levantar-se:
Ou que estejas feliz. Estás feliz?
Agradecido pela brecha que lhe dei disse que sim, perguntou-me se queria jantar. Não foi difícil não ceder à tentação e dizer não. Senti o estômago apertado. Jurei a mim mesma que era da fome...
Bad girls go everywhere
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