29 de dezembro de 2007

Talvez não haja razão nenhuma e toda eu seja demência, ou urgência, não sei…

Talvez não sejas tu, nem seja eu, nem tenhamos nós que existir


Talvez devesse simplesmente deixar fugir o momento, em que dentro de ti navego e sonho e acordo a rir

Talvez tu não sejas mais do que tudo aquilo que a minha imaginação quis criar


E não sejas bom nem mau, não sejas forte nem fraco, não tenhas por dentro tanto além daquilo que eu vejo por fora (e que, aqui entre nós, é pouco…)

Talvez a razão não me acompanhe nesta viagem e eu percorra a estrada apenas
como um louco, sem pequenas questões nem grandes respostas.

E então, poderão perguntar-me:
- Mas afinal, porque gostas?


Talvez eu nesse instante possa responder que é justamente "esse não sei quê, que nasce não sei quando, vem não sei como e dói não sei porquê que me faz acreditar."


Luís Vaz de Camões

in "Cenas de Gaja"

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