"Não é de ti que tenho saudade, o que faz o ar gelar à minha volta. É de alguma coisa que se perdeu para sempre, por descuido. A tua imagem inscrita, enclítica, numa redonda folha de tempo. Ninguém poderá reaver-te, nem a memória. Uma faca fere-me a respiração quando assim te tenho. A isto chamo morte, amor, uma indizível palavra. E vens a mim quando por ti chamo, calado.
(...)
Em qualquer parte existes. Com outras pessoas, perto ou longe, no mesmo compasso de tempo. Falho todas as adivinhas. Tão suave e cruel este latejar que separa e aproxima os nossos corações.
Isto são pedaços de cartas que escrevo na cabeça sabendo de antemão que as não envio. Cartas românticas que me escrevo, com as quais me engano.
A verdade é outra e terrível. O meu amor morreu num corpo que continua vivo.»
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Em qualquer parte existes. Com outras pessoas, perto ou longe, no mesmo compasso de tempo. Falho todas as adivinhas. Tão suave e cruel este latejar que separa e aproxima os nossos corações.
Isto são pedaços de cartas que escrevo na cabeça sabendo de antemão que as não envio. Cartas românticas que me escrevo, com as quais me engano.
A verdade é outra e terrível. O meu amor morreu num corpo que continua vivo.»
in Saudades de Nova Iorque, Pedro Paixão
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