Mentir pode ser um exercício de inteligência em que a realidade
é reinventada. Essas alterações transportam consigo outras, numa
reacção em cadeia, até perturbarem toda a paisagem. Não é fácil,
pode ser perigoso. Quando comecei a mentir deixei de poder parar
de mentir, uma mentira erguendo-se sobre outra. Sei que me é
impossível voltar atrás, recomeçar tudo de novo. Mesmo que o quisesse - e não quero, seria demasiado doloroso e inútil - não me
é agora possível destrinçar o que aconteceu do que podia ter
acontecido, o que vi do que quis ver mais do que tudo, o que disse
com o objectivo consciente de seduzir, aumentar o meu poder
defendendo-me do mundo, do que disse com o coração na boca,
a tremer, como se tivesse pouco tempo de vida. A minha vida nada tem a ver com o que escrevo.
é reinventada. Essas alterações transportam consigo outras, numa
reacção em cadeia, até perturbarem toda a paisagem. Não é fácil,
pode ser perigoso. Quando comecei a mentir deixei de poder parar
de mentir, uma mentira erguendo-se sobre outra. Sei que me é
impossível voltar atrás, recomeçar tudo de novo. Mesmo que o quisesse - e não quero, seria demasiado doloroso e inútil - não me
é agora possível destrinçar o que aconteceu do que podia ter
acontecido, o que vi do que quis ver mais do que tudo, o que disse
com o objectivo consciente de seduzir, aumentar o meu poder
defendendo-me do mundo, do que disse com o coração na boca,
a tremer, como se tivesse pouco tempo de vida. A minha vida nada tem a ver com o que escrevo.
Pedro Paixão in cala a minha boca com a tua
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