30 de setembro de 2007

" Eu orgulhava-me de ti. Tu eras uma menina sem medo de mim, sem medo do que nos podia acontecer, do que já acontecia, do que já tinha começado. Porque eu era homem sem esperança e sobre isso creio que nunca te menti. Quando adormeceste fiquei imóvel a olhar-te. O teu sono era um dom precioso. A tua cara tapada pelos cabelos negros sobre a almofada, o teu corpo abandonado aos sonhos, a tua respiração enchendo o quarto todo, o primeiro onde dormimos sem dormir. Minha querida, se fosse possível voltar de novo ao princípio, nada havia que quisesse mudar, só queria ficar mais tempo nesse tempo em que ainda sabíamos tão pouco um do outro, em que os nossos corpos desconheciam tanto de si próprios, em que entrávamos num mundo novo que nós dois fazíamos sem saber como, mas fazíamos com gestos e palavras enquanto o mundo todo morria à nossa volta. "

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