29 de maio de 2007

Noites

Há alturas, e estas coisas ninguém confessa a ninguém, em que se vai para a cama com um homem a seguir a uma combinação forçada e que depois de nos sondarmos superficialmente chegamos à conclusão de que não sentimos absolutamente nada e que é o vazio que precede esses momentos.

Num esforço de civilização e moral, porque a moral nunca foi espontânea, interrogamo-nos como é que aquilo é possível connosco e porque nos sujeitamos nós àquilo, pensado que talvez fosse melhor termos ficado em casa a ver televisão porque a emoção seria igual senão maior no caso da programação nos reservar uma surpresa, e damos connosco a averiguar a razão porque fomos ainda assim, mesmo depois de confirmarmos toda aquela gratuitidade humilhante.

Já me acontecera por mais de uma vez.

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